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Espíritas precisam ter convicção da verdade apresentada pela Doutrina Espírita

Em sua palestra sobre o tema “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”, no ¨6º Congresso Espírita Paraense, o trabalhador espírita Antonio Almeida afirmou que os espíritas precisam ter convicção da verdade apresentada pela Doutrina Espírita. O evento foi realizado nos dias 30 e 31 de maio, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.

Segundo ele, muitas pessoas dizem que a Doutrina Espírita é só mais uma religião. “Chegam a dizer que somos fanáticos e que não abrimos concessão para outras visões. Concessão no sentido de compreensão, sim, mas abrir mão das nossas convicções, não”, enfatizou.

“Nós precisamos construir, pelo estudo da Doutrina Espírita e a certeza de que ela se nos apresenta com a verdade capaz de nos libertar, que é ela que significa o falar de Jesus a respeito do “Conhecereis a verdade e ela vos libertará. Não é a convicção fanática, é a convicção racional, não é a fé cega, é a fé da certeza, a fé da confiança”, explicou Antonio Almeida, lembrando a frase de Emmanoel que estava escrita no cartaz de divulgação do Congresso: “A criatura que tem convicção da paternidade divina, anda no mundo fortalecida e feliz”.

Na opinião do palestrante, os participantes do evento deveriam aproveitar os dias de Congresso para construir efetivamente a essência espiritual, a convicção de que são filhos de Deus. “Não pode ser uma manifestação religiosa apenas como rito tradicional. Pois existem religiões tradicionais que também pretendem ser a dona da verdade e essa pretensão, em muitos momentos da história criou regimes totalitários dolorosos para a humanidade”, alertou.

Leis naturais – De acordo com Antônio Almeida, o ser humano só não é feliz porque não vive de acordo com as leis naturais”. Mas “o que são as leis naturais? Essa é questão 614 feita por Allan Kardec no Livro do Espíritos. Os espíritos responderam: as leis naturais são as leis divinas que estabelecem aquilo que o homem deve e não deve fazer. Portanto, para ele, basta que o ser humano conheça e cumpra essas leis para ser feliz

Antonio Almeida também comentou sobre a reencarnação, que é uma lei natural: “Se nós espíritas temos a convicção disso é porque está devidamente consolidada nas nossas conquistas espirituais. Então, se a reencarnação é lei da natureza, todos, independentemente de crença, reencarnaram e vão continuar reencarnando até que se realize neles o processo de aperfeiçoamento, porque a característica das leis naturais é a sua universalidade”

Para ele, há um significado profundo saber que é um espírito. “É profundo porque alguns de nós, e eu estou no meio, estamos mais perto do fim do que do começo. O que me liberta é saber que esse tempo que passa não conta para mim espírito e sim para o meu corpo. Isso aponta uma trajetória diferente para a nossa expectativa de vida. Porque, na verdade, estamos caminhando na direção da vida verdadeira, de uma imortalidade. Muda ou não a minha concepção de vida?”, questionou.

Ele disse, ainda, que a morte é o salário do pecado, porque enquanto a humanidade estiver pecando (pecado no sentido grego que é desviar-se do objetivo) vai continuar reencarnando porque “o objetivo da reencarnação é a transformação moral, pelo esforço de conter as nossas más inclinações”. “A compreensão de que eu sou dotado de uma imortalidade me liberta do medo de morrer”, afirmou o palestrante.

Para essa transformação moral, conforme Antonio Almeida, é preciso empenho de perceber em Jesus o caminho a verdade e a vida, pois Ele é modelo e guia para todos.

Verdade absoluta e relativa – Para abordar o assunto, ele também usou lendas e situações práticas para dizer que existem verdades absolutas e verdades relativas porque cada pessoa observa, avalia ou relata uma situação, um fato ou uma história a partir de um ângulo diferente.

Segundo Antonio Almeida, o relativismo sobre a verdade é um argumento utilizado pelos que não conseguem compreender a verdade devido às limitações individuais impostas pela realidade e pelo degrau evolutivo em que se encontram. “Mas o fato de nós não compreendermos não quer dizer que a verdade não exista”, afirmou.

Ele disse, ainda, que o relativismo não é um problema do nosso tempo, que a ideia de que a verdade é relativa existe há muito tempo e permite que cada um se alinhe com a verdade que lhe é conveniente. “E um exemplo de verdade conveniente encontramos presente no diálogo de Pilatos com Jesus. Quando Jesus diz “eu vim em nome da verdade, aquele que é da verdade ouve as minhas palavras”, Pilatos pergunta: “o que é a verdade?” e sai. Alguns interpretam que quando Pilatos saiu Jesus silenciou, mas a questão que se apresentava era: Pilatos tinha a capacidade de compreender a verdade que Jesus representava? Quem era Pôncio Pilatos para conseguir alcançar a realidade que Jesus representava naquele momento? Pilatos era um homem que representava o poder do Império Romano, que pelas suas alianças políticas tinha vínculo de dependência e subordinação ao Sinédrio. Tanto que embora ele manifestasse convicção na inocência de Jesus, não teve poder, capacidade de abandonar as suas conveniências e seus interesses políticos para afirmar a sua convicção. E Jesus silenciou ou apenas observou? Porque naquele contexto não eram as palavras que importavam, e sim efetivamente que a verdade estava diante de Pilatos”, relatou Antonio Almeida.

“Quantas vezes nós nos defrontamos com essa situação, a verdade se apresenta diante de nós de uma maneira indiscutível que nós podemos até questionar, mas nós não estamos querendo a resposta, como foi o caso de Pilatos, porque a resposta não nos convém”, advertiu.

Decom | UEP