No item 14 do Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, o espírito Lacordaire destaca que “o amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual”. E como esse adiantamento moral e espiritual do ser é viabilizado por meio da Reencarnação (quando o espírito renasce em um novo corpo para reparar erros e avançar mediante a prática do bem), os cidadãos no Planeta Terra devem ser vigilantes para não se deixarem levar pelo busca do poder, ou seja, apegar-se a recursos materiais e se esquecer do que é essencial, no caso, como ensinou Jesus, “amar o próximo como a si mesmo”. Nesta terça-feira (17), último dia do 48º Encontro Intensivo do Movimento Espírita Paraense (48º EIMEP), na sede do IFPA, em Belém, foi reforçado nos grupos de estudo a necessidade de se focar naquilo que é fundamental e útil à trajetória do ser.
Crianças trabalharam no evento esse aspecto da Reencarnação. Elas construíram uma mala e colocaram nela somente os bens de que precisam para evoluir, como o amor, a caridade, o perdão, a amizade, a paciência, a compreensão e outras virtudes, traduzidas em objetos devidamente guardados na mala para a viagem (Reencarnação). Essa atividade foi organizada a partir do livro “A Grande Viagem”, de autoria de Miriam Dusi, coordenadora nacional da Área de Infância e Juventude da Federação Espírita Brasileira (FEB).
Para o nosso bem
O professor Antônio Almeida, 3º vice-presidente da União Espírita Paraense (UEP), promotora do 48º EIMEP, explicou sobre como se dá a relação entre a Reencarnação e a necessidade de desapego aos bens materiais. Como disse ele, a Reencarnação está necessariamente associada à imortalidade da alma, ou seja, os espíritos precisam reencarnar por que em uma vida anterior desencarnaram. “Então, a certeza de que nós biologicamente somos mortais, e com a Reencarnação entendemos que somos espíritos imortais, isso nos leva à compreensão de que os bens materiais são um provimentos transitório das nossas necessidades. Em cada encarnação, nós recebemos de Deus um patrimônio necessário para que possamos evoluir. E nós sabemos que num determinado momento, quando nós deixarmos o corpo físico, todo patrimônio material que nós tenhamos reunido vai ficar. Nós só vamos levar aquilo que conseguimos agregar moralmente, intelectualmente, filosoficamente”.
“Então, fica a essência do ensinamento de que somos ‘mordomos’ de todo bem material do qual nós dispomos. Nós não somos proprietários. Eles nos são disponibilizados apenas como meio de evolução. Deus é que é o verdadeiro proprietário de tudo”, acrescenta Antônio Almeida. A cada existência, cabe a cada indivíduo (espírito encarnado) o exercício de administrar esses recursos.
“Nós temos relacionamento com as pessoas e com os bens e vamos evoluindo no aproveitamento adequado desses recursos”, diz o professor. A ideia ilusória de posse definitiva desses bens materiais responde por muito sofrimento. Entretanto, essa compreensão acerca do uso desses bens, ancorada no princípio da Reencarnação levar o ser humano a renunciar a tudo que a partir de um determinado momento deixa de ser útil a sua vida, como frisou Antônio Almeida.
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